Mi causo, su causo

Archive for julho 2011

Ainda moleca, descobri os vinis. O que me encantou primeiro foi “A Arca de Noé”, criação do Vinicius de Moraes com diversos artistas nacionais cantando músicas fofas sobre bichos. Fantástico, mas, convenhamos, Elis cantando “A Corujinha” não é nada rock and roll.
Em seguida, veio a primeira porrada, o “Greatest Hits” do Queen. De tanto ouvir “Bicycle Race”, “Fat Bottomed Girls” e “Bohemian Rhapsody”, quebrei a bolacha. Nem preciso comentar que meu ex-padrasto, o dono, ficou revoltado. Mal sabe ele que aquele disco mudaria minha vida.

A verdade é que o rock sempre esteve presente. Das fitas cassetes que eu sabiamente surrupiava de meu ex-cunhado aos vídeos da recém-lançada MTV, eu sempre curti riffs de guitarra e cabelões esvoaçantes.

Quando cheguei à adolescência, comecei a andar com um grupo formado por aspirantes a rock stars, músicos genuínos e entusiastas. E foi aí que conheci o rock clássico de verdade: Deep Purple, Black Sabbath, Jethro Tull. Era impossível não prestar atenção, já que essa galera até gostava de música brasileira, mas nas viagens e festinhas só rolava rock. Lembro de um churrasco em que quase fui linchada por escolher meia dúzia de pagodinhos.
Não posso deixar de falar de minha paixão, Whitesnake. Comprando um CD aqui e outro ali consegui fechar a coleção. E desenvolver um amor verdadeiro pelo David Coverdale, que, durante muito tempo, enfeitou a parede do meu quarto com seu biquinho sensual. Acredito que a farofa tem que ser apreciada em todas as suas formas: da cheia de ovos às bandas cheias de luzes e permanentes!

O primeiro show foi da banda australiana Spy Vs Spy no finado Imperator, que ficava no Méier. Eu e dois amigos pegamos um ônibus até o Centro, outro de lá para o Méier e chegamos ao destino final. Malandrões que éramos, decidimos “começar os trabalhos” com cachaça, bebida que o orçamento suportava. Resultado? Um nariz sangrando, três jovens zuretas e um leve atraso pra entrar. O show foi ótimo, especialmente para os pirralhos que iniciavam sua carreira de shows de rock.

Num desses Hollywood Rock da vida, menti para a minha mãe e peguei o 409 pra Apoteose com minha melhor amiga. Acho que nunca me senti tão poderosa. Pulamos muito durante o show do Aerosmith, nos sentindo adultas über modernas e independentes. Joan Jett e Patti Smith perdiam.

Foram muitos. Diversos. Incontáveis shows. Rock clássico, BRock, heavy metal, indie, death metal, Paul McCartney (não há como categorizar o Macca), hard rock. Acredito que apenas o EMO esteja de fora (e que assim permaneça). Meu bolso que o diga.

Com esta palhaçada de carteirinha de estudante versus preços absurdos, pisei no freio. Com muita dor no coração, reconheço, afinal poucas coisas me dão tanto prazer quanto um bom show de rock. Ainda bem que restam o mp3, os CDs que não foram descartados e as noitadas embaladas pelos djs inspirados.

Brindemos ao rock.

Comecei a gostar de verdade de futebol na adolescência. Dividia quarto com irmão mais velho, então era “convidada” a assistir desde clássicos a jogos da terceira divisão do campeonato sergipano. Na maior democracia.

A primeira vez em que vi o Flamengo jogar foi em 1994. Já tinha ido ao Maracanã pra ver o Vasco, na despedida do Roberto Dinamite, numa tentativa frustradíssima de meu ex-cunhado de converter a família. O time dele perdeu de 2 X 0, com direito a gol do Bebeto pelo La Coruña. Que fase. Curiosamente, minha primeira partida do Flamengo foi contra o Vasco. Fui com família e namorado de uma amiga da escola e nunca vou me esquecer do momento em que subi a rampa com as mãos nos ombros de um carinha que nunca tinha visto cantando “Uh, tererê!” e quando vi o gramado pela primeira vez. O Flamengo ganhou de virada e fiquei me achando o ser mais pé-quente da galáxia. Tolinha.

Nos anos seguintes, eu e meu irmão íamos a TODOS os jogos de meio de semana. Os mais vazios, chinfrins. Ele se recusava a me levar em clássicos por medo de me expor a qualquer muvuca, o que faz sentido (agora, porque na época eu ficava com muita raiva). Ficávamos quase deitados na arquibancada e sempre saíamos irritados, pois o Flamengo marcava primeiro e deixava o time adversário empatar no final. Eu disse sempre? Pois era SEMPRE. Foi aí que comecei a ter dúvidas sobre minha sorte.

Foram várias finais, de Super Copa a Copa do Brasil, passando por perrengues como tênis perdido no meio do empurra-empurra da entrada e roleta quebrada em jogo lotado. Teve também o dia em que engasguei com uma porcaria de bala Mentos no vagão do metrô e só fui parar de tossir dois dias depois. Tudo por causa da paixão pelo futebol. Sempre disse a minha mãe que ela devia ter me ensinado a gostar de balé clássico ou nado sincronizado. Minha vida teria sido bem mais fácil.

Na final de 2009, meu então namorado – agora marido – me levou com o irmão e um grupo de amigos ao jogo. Na entrada, aquele desespero. Entenda uma coisa: não é somente a sensação de que a qualquer momento o ar vai desaparecer ou você vai ser ejetada da multidão, é o pânico de alguém olhar pra bunda da namorada daquele negão enorme. Aí, o bicho pega. Mas nada disso aconteceu e conseguimos entrar no setor das cadeiras azuis.

Olha, poucas vezes me emocionei tanto com o que vi. O Maracanã estava absolutamente lotado e a torcida pulava sem parar… acima de nossas cabeças. E você, caro frequentador do Maraca, sabe que nada ali é rígido, senão despencaria em dois tempos. Só que parecia MESMO que a arquibancada iria romper a qualquer momento. Estávamos quase debaixo de uma fenda e dava pra ver perfeitamente as estruturas balançando sem ritmo, como se uma tragédia estivesse sendo anunciada. O apocalipse. Um replay de 1992 em proporções maiores. Um grupo que estava ao nosso lado ficou com medo e saiu. E eu pensei que o negócio era relaxar, afinal se a arquibancada caísse eu não escaparia. Morreria pelo Mengão, que coisa poética.

Apesar do pacote de nervosismo, tudo deu certo (graças a São Angelim) e saímos vivos e campeões, mas prometi a mim mesma que só volto a estádios em finais de campeonato de camarote. Tomando uma cervejinha e observando o perrengue de longe.



  • Nenhum
  • César: Meu amor, favor me incluir entre os apaixonados por Lumiar. Precisamos agitar logo o nosso retorno. Aguardo as próximas histórias! Beijoca.
  • Erika: Nanda,vc e' demais.Whitesnake tambem passou a ser um marco em minha vida.Ouvia tanto que "apaixonei" tambem.Alem de me deparar toda vez que entrava no
  • César: Tim tim. Que orgulho da minha mulher. Além de linda, flamenguista e roqueira, ainda escreve bem demais. Voltei pra ler de novo. Parabéns pelo

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