Mi causo, su causo

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Sabemos que nem tudo é alegria no convívio com cachorros. Eles são carinhosos e companheiros, mas podem mudar de humor a qualquer momento. Assim, exatamente como o ser humano. Como sempre fui muito próxima de cães, sobraram mordidinhas aqui, arranhões ali e as belas cicatrizes, além das histórias divertidas (para os outros, claro) para contar.

A primeira mordida foi quando eu tinha uns oito, nove anos. Estávamos na casa de alguém em algum lugar (interior do RJ, provavelmente) e um grupo de crianças, incluindo eu, decidiu subir para o primeiro andar escalando o muro da casa. Ideia idiota, como muitas das que temos antes de descobrir o que é ser “racional”. Ou “inteligente”. Ao subir, as crianças decidiram aguardar do outro lado da grade e esperar pelo consentimento do dono da casa, pois havia um considerável número de cachorros lá dentro.  Menos a criatura que vos escreve. Como sempre fui macho pra cacete, resolvi pular logo a grade e invadir o terreno de entrada da casa. Os cachorros não aprovaram minha atitude, me punindo com quatro mordidas na bunda. Bem-feito pra espertona aqui, que ficou dias sem conseguir sentar direito.

Lembro bem da segunda. Uma família tinha acabado de se mudar para a casa ao lado e meu irmão e meu primo ficaram loucos pela filha do casal. Pediram para eu tocar a campainha e chamar a menina para, em seguida, chegar, numa sensacional “coincidência”. A missão teria sido um sucesso se a garota não tivesse um rat…, ops, cachorro insuportável que escapou pela brechinha do portão aberto e voou em minha bunda. Se bem conheço os dois, devem ter rido bastante e se aproximado da menina, ignorando minha dor lancinante.

As outras duas foram “familiares”, veja só. O Nick era um pastor canadense SINISTRO e MALVADO que comia criancinhas. Mentira, ele não chegava a tanto, mas, da família (mãe Branquinha – a minha favorita de todos os caninos – e irmã Shana), ele era o mais agressivo. Os três ficavam na garagem da casa, bem ampla, que era separada da cozinha por um portão baixo de madeira. Rá, quantas vezes não sacaneei meus amigos fingindo que ia abrir o portão. Já presenciei três tentando passar pela porta da cozinha ao mesmo tempo! Como eu ia escrevendo, Nick, um dia, decidiu abrir o portão e circular pela casa. Imaginem a minha surpresa ao chegar na cozinha e dar de cara com aquele lobo wannabe assustador me olhando e desejando minha carne suculenta. Acho que demonstrei tanto medo que a mensagem enviada a ele foi “me devore, ó cão esfomeado!”. Nick não chegou a me morder, mas me arranhou e eu saí correndo, fechando a porta e me escondendo. Nunca vou me esquecer daquele cão. Nem do momento de pânico absoluto.

Dusch era uma linguicinha muito mala que viveu conosco por anos. Quando pequeno, comeu vários chinelos meus. E um pente e uma caixa de anticoncepcional. Sente o naipe do surtado. Sentia ciúme doentio da minha mãe, especialmente comigo. Um dia, fui entregar o telefone pra ela e o bicho decidiu que eu era o inimigo, abocanhando meu braço. Parece que não, mas os dentinhos daquele ogro eram bastante afiados, pelo menos o suficiente para deixar um ovo em meu braço. Por precaução, passei a evitar minha mãe, mesmo morando na mesma casa.



  • Nenhum
  • César: Meu amor, favor me incluir entre os apaixonados por Lumiar. Precisamos agitar logo o nosso retorno. Aguardo as próximas histórias! Beijoca.
  • Erika: Nanda,vc e' demais.Whitesnake tambem passou a ser um marco em minha vida.Ouvia tanto que "apaixonei" tambem.Alem de me deparar toda vez que entrava no
  • César: Tim tim. Que orgulho da minha mulher. Além de linda, flamenguista e roqueira, ainda escreve bem demais. Voltei pra ler de novo. Parabéns pelo

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