Mi causo, su causo

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Em Portugal, não há bilheteria no metrô. Há máquinas, somente. Em Lisboa, sofremos um pouco no início, mas depois pegamos o jeito. No Porto, a situação ficou periclitante. Ao pegarmos o metrô na estação de trem, percebemos que não só não havia bilheteria como vários aparelhinhos de validar ticket (como esses amarelos que vemos nos ônibus cariocas) ficavam espalhados pela estação. Para que tantos? Nós teríamos que ficar encostando o ticket toda vez em que passássemos por um? Que beleza, seria melhor ligar pra agente de viagens e pedir mais uns 15 dias, pra poder conhecer a cidade.

Logo de início, um senhor deveras simpático se ofereceu para nos ajudar. Tão gentil. Tratou logo de “ficar com” umas moedinhas só pra nos lembrar que tem gente esperta no mundo todo. Nas outras poucas incursões, pegamos o ticket, validamos em uma catraca e bola pra frente.

Dia de ir embora, que tristeza. Passeamos pela linda cidade e fizemos algumas comprinhas. Tomamos até Fanta de abacaxi, que inédito. O tempo foi passando (e você sabe que o tempo passa rápido quando a gente se diverte) e, de repente, percebemos que estávamos atrasados. Pegamos as malas no hotel e corremos para o metrô a caminho do aeroporto. Para chegar no destino, era preciso fazer baldeação. Saltamos na estação indicada e ficamos esperando o trem final.

Ah, sim, vale ressaltar que em TODOS os trens havia um display bastante indiscreto avisando ao passageiro que quem tentasse “burlar” o sistema de passagens pagaria 90 EUROS. Uma bagatela.

Entramos no vagão e demos de cara com um grupinho de fiscais com maquininhas na mão. Ficamos tranquilos, pois tínhamos comprado o ticket, mas rolou um certo frio na espinha quando um deles veio em nossa direção. O sujeito pediu os tickets e passou na tal máquina.

O horror. Sem saber, nós não tínhamos comprado a segunda passagem, assim estávamos fora da lei. Na Europa. Com pouco dinheiro. Atrasados para o voo.

Meu olho encheu d’água (espontaneamente) e implorei para o cara não nos multar. Explicamos que éramos do Brasil e não sabíamos como funcionava o esquema de validação dos tickets.

Não sei se o sujeito esperava um dinheirinho ou o que estava rolando, mas ele começou a apresentar várias alternativas, uma mais doida do que a outra. Eu já estava fazendo as contas, imaginando quanto teria que economizar por dia pra bancar o prejuízo. Depois de alguns minutos, pediu para que descêssemos na estação anterior à do aeroporto e comprássemos mais um ticket. Atrasados para o voo. O horror. E ainda ficamos um tempo esperando pelo próximo trem. Aí, já era pânico.

Chegamos no aeroporto correndo, esbaforidos. César foi segurar o voo enquanto eu fazia o check in. A atendente simulou um esporro, mas eu fui logo contando a história triste em tom de voz assustador e bastante irritado e ela parou. Só faltava essa.

Embarcamos com atraso, mas deu tudo certo.

Rogamos praga para o metrô do Porto e aquele fiscal safado até hoje.

Nada como começar um blog de causos contando uma situação que vivi quando criança. Ou melhor, vivo até hoje, mas começou um pouquinho depois de dar a minha mãe o prazer de não trocar mais minhas fraldas.

Cavalos são lindos, elegantes, imponentes. Graças a eles, não curto filmes de guerra e faroeste, pois detesto ver os bichos sendo abatidos. Em suma, adoro cavalos. De preferência, a 100 metros de distância. Não tente me colocar em cima de algum exemplar da espécie, para a sua própria segurança.

Quanto eu tinha uns dois anos, estava num hotel fazenda do interior do RJ com a família. Lá pelas tantas, minha mãe, apaixonada por cavalos, resolve sugerir um passeio equestre. Estava todo mundo admirando o belo terreno quando, de repente, um dos pangarés começa a empinar. Ah, a solidariedade dos cavalos é uma coisa linda mesmo. Tanto que o bicho que estava sendo guiado por minha prima, logo a nossa frente, começou a fazer o mesmo. Em seguida, naturalmente, foi a vez do cavalo onde eu estava com minha mãe. Dona Vera, pessoa esperta, pensou “não posso deixar a Nanda aqui em cima, correndo o risco de ser ejetada do cavalo”. O que fez? Me jogou no chão. O que teria sido especial se eu não tivesse caído em cima de uma poça d’água e chorado até desidratar.

Este foi o trauma 1.

Poucos anos depois, eu passeava com mais duas amigas (no mesmo cavalo) quando o bicho leva um susto e, pá, dispara pelo meio do mato.

Você já teve essa sensação? Se não, recomendo. Acho que a taquicardia passou quando completei 18 anos.

Trauma 2.

O último foi algum tempo depois, quando eu ainda era criança e passeava em Nogueira, cidade aprazível que fica perto de Petrópolis. Estava em cima do cavalo sendo “escoltada” por meu padrasto de um lado e um amigo dele do outro. À esquerda do amigo, o rio, animadíssimo, cheio de correnteza. Enquanto relaxava, mentalizando coisas boas e tentando esquecer dos outros episódios, o bicho começou a empinar. Uma maravilha. Nada como superar um trauma vivendo situação semelhante, certo? Desta vez, pelo menos, ninguém me jogou. Mas eu poderia ter caído mesmo numa versão mais hardcore da poça.

Também morro de medo de vacas e bois. Mas esta história é constrangedora demais e preciso tomar um goró antes de começar a escrever.



  • Nenhum
  • César: Meu amor, favor me incluir entre os apaixonados por Lumiar. Precisamos agitar logo o nosso retorno. Aguardo as próximas histórias! Beijoca.
  • Erika: Nanda,vc e' demais.Whitesnake tambem passou a ser um marco em minha vida.Ouvia tanto que "apaixonei" tambem.Alem de me deparar toda vez que entrava no
  • César: Tim tim. Que orgulho da minha mulher. Além de linda, flamenguista e roqueira, ainda escreve bem demais. Voltei pra ler de novo. Parabéns pelo

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