Mi causo, su causo

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Comecei a gostar de verdade de futebol na adolescência. Dividia quarto com irmão mais velho, então era “convidada” a assistir desde clássicos a jogos da terceira divisão do campeonato sergipano. Na maior democracia.

A primeira vez em que vi o Flamengo jogar foi em 1994. Já tinha ido ao Maracanã pra ver o Vasco, na despedida do Roberto Dinamite, numa tentativa frustradíssima de meu ex-cunhado de converter a família. O time dele perdeu de 2 X 0, com direito a gol do Bebeto pelo La Coruña. Que fase. Curiosamente, minha primeira partida do Flamengo foi contra o Vasco. Fui com família e namorado de uma amiga da escola e nunca vou me esquecer do momento em que subi a rampa com as mãos nos ombros de um carinha que nunca tinha visto cantando “Uh, tererê!” e quando vi o gramado pela primeira vez. O Flamengo ganhou de virada e fiquei me achando o ser mais pé-quente da galáxia. Tolinha.

Nos anos seguintes, eu e meu irmão íamos a TODOS os jogos de meio de semana. Os mais vazios, chinfrins. Ele se recusava a me levar em clássicos por medo de me expor a qualquer muvuca, o que faz sentido (agora, porque na época eu ficava com muita raiva). Ficávamos quase deitados na arquibancada e sempre saíamos irritados, pois o Flamengo marcava primeiro e deixava o time adversário empatar no final. Eu disse sempre? Pois era SEMPRE. Foi aí que comecei a ter dúvidas sobre minha sorte.

Foram várias finais, de Super Copa a Copa do Brasil, passando por perrengues como tênis perdido no meio do empurra-empurra da entrada e roleta quebrada em jogo lotado. Teve também o dia em que engasguei com uma porcaria de bala Mentos no vagão do metrô e só fui parar de tossir dois dias depois. Tudo por causa da paixão pelo futebol. Sempre disse a minha mãe que ela devia ter me ensinado a gostar de balé clássico ou nado sincronizado. Minha vida teria sido bem mais fácil.

Na final de 2009, meu então namorado – agora marido – me levou com o irmão e um grupo de amigos ao jogo. Na entrada, aquele desespero. Entenda uma coisa: não é somente a sensação de que a qualquer momento o ar vai desaparecer ou você vai ser ejetada da multidão, é o pânico de alguém olhar pra bunda da namorada daquele negão enorme. Aí, o bicho pega. Mas nada disso aconteceu e conseguimos entrar no setor das cadeiras azuis.

Olha, poucas vezes me emocionei tanto com o que vi. O Maracanã estava absolutamente lotado e a torcida pulava sem parar… acima de nossas cabeças. E você, caro frequentador do Maraca, sabe que nada ali é rígido, senão despencaria em dois tempos. Só que parecia MESMO que a arquibancada iria romper a qualquer momento. Estávamos quase debaixo de uma fenda e dava pra ver perfeitamente as estruturas balançando sem ritmo, como se uma tragédia estivesse sendo anunciada. O apocalipse. Um replay de 1992 em proporções maiores. Um grupo que estava ao nosso lado ficou com medo e saiu. E eu pensei que o negócio era relaxar, afinal se a arquibancada caísse eu não escaparia. Morreria pelo Mengão, que coisa poética.

Apesar do pacote de nervosismo, tudo deu certo (graças a São Angelim) e saímos vivos e campeões, mas prometi a mim mesma que só volto a estádios em finais de campeonato de camarote. Tomando uma cervejinha e observando o perrengue de longe.



  • Nenhum
  • César: Meu amor, favor me incluir entre os apaixonados por Lumiar. Precisamos agitar logo o nosso retorno. Aguardo as próximas histórias! Beijoca.
  • Erika: Nanda,vc e' demais.Whitesnake tambem passou a ser um marco em minha vida.Ouvia tanto que "apaixonei" tambem.Alem de me deparar toda vez que entrava no
  • César: Tim tim. Que orgulho da minha mulher. Além de linda, flamenguista e roqueira, ainda escreve bem demais. Voltei pra ler de novo. Parabéns pelo

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