Mi causo, su causo

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Tanto tempo sem escrever e somente um assunto poderia gerar post de gala: Lumiar. O vilarejo paradisíaco que conseguiu mudar minha vida.
Dona Vera tinha acabado de se separar e estava precisando desopilar. Uma paciente sua comentou que tinha uma casinha na serra e ela pensou que poderia lhe fazer bem respirar um ar puro e fresco. Foi e se encantou. Pelo menos, o suficiente para me convocar a ir na semana seguinte.
Fomos 10 pessoas, de ônibus, com direito a “local” armado dentro do coletivo. Aventura do início ao fim: chegamos lá e o portão do condomínio estava fechado, então tivemos que pular o muro. A casa era muito pequena e ficou complicado arrumar espaço para todos, mas demos um jeito. E tivemos um final de semana impecável, que fez com que cada um ali quisesse voltar. E voltar. E voltar novamente.
Passei a ir regularmente com mamãe. Esta é uma paixão que sempre dividimos: viajar para lugares frios, no meio do mato. De Itatiaia a Teresópolis, se tivéssemos que enfiar o carro na lama era sempre mais interessante!
Apresentei a cidade a uma amiga querida. Desnecessário, porém divertido, dizer que ela também se apaixonou perdidamente e decidimos alugar uma casinha onde cabiam (confortavelmente) quatro pessoas. Colocávamos 15, 20, na maior farra. Um dormindo por cima do outro, grupos dividindo colchão de solteiro com utensílios para churrasco, cozinha lotada e banheiro também. Sexta-feira, saíamos do colégio em direção à rodoviária. Pegávamos o último ônibus para Friburgo, onde a temperatura já estava 10 graus mais baixa. Trocávamos de roupa no ponto, pegávamos carona sem medo nenhum. O importante era estar lá o mais rápido possível.
Alugamos a casinha por algum tempo. Depois, minha mãe acabou optando por casas maiores e a amiga decidiu seguir carreira solo. Continuávamos indo com frequência, levando amigos e aumentando a seita de adoradores de Lumiar.
Aliás,  essa é uma coisa que sempre me surpreendeu. Certa vez, perguntei a um amigo se ele tinha curtido o lugar e a sua resposta foi categórica: “e tem como não gostar de Lumiar?”. É, eu concordo. Não sei se é o ar, a água, o cheiro. Ao passar de Mury, os problemas decidem voltar para a cidade grande, eu acho. Percebem que vai ser difícil lutar com toda aquela (peço perdão pelo clichê) magia. É derrota garantida.
Tive a chance de estar com minha mãe em sua última viagem a Lumiar. Ela já estava bem debilitada, mas não abriu mão de seu maior prazer. Sempre que eu pintar por aquelas bandas, vou lembrar do cheirinho do café da manhã cheio de doces, os almoços maravilhosos, a música alta. O som do vento batendo nas folhas das bananeiras ao lado da varanda, os cachorros brincando.
Sinceramente? Duvido que encontre alguma lembrança que possa competir com essa.

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Este é apenas um causo sobre Lumiar. O primeiro de 1000, eu diria.

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Voar, voar, subir, subir. Viajar sempre foi – e ainda é – uma das coisas mais fascinantes que existe. Sempre curti demais as temporadas em Itatiaia, Caxambu e, posteriormente, Lumiar, mas chegou o momento em que eu desejava um programa mais distante, além-Atlântico.

A princípio, eu e César iríamos a Lisboa, Porto, Madri e Barcelona. Bastou um sujeitinho que nem conhecíamos dizer “visitar a Europa e não ir a Paris é sacrilégio” para resolvermos fazer o TREMENDO sacrifício e incluir a Cidade Luz no roteiro.

Capricharei no clichê dizendo que a viagem mudou nossas vidas, foi absolutamente fantástico conhecer outras culturas e diferentes hábitos, blá, blá, blá. O que sempre surpreende é o quão jeca podemos ser numa hora dessas.

Nos viramos muito bem, considerando que era praticamente nossa primeira viagem ao exterior (eu já tinha ido a Argentina, o que não conta muito, já que há mais brasileiros em Buenos Aires do que Copacabana). Falamos portunhol em Madri e tentamos compreender alguma coisa do catalão em Barcelona. Em Paris, lançávamos logo o “Parlez-Vous Anglais?”, recebendo SEMPRE “a little” acompanhado de leve carinha de bunda como resposta, mas conseguíamos nos comunicar.

A surpresa foi Portugal. Justamente no país com a língua mais semelhante, passamos por situações surreais (e, por que não, bizarras).

No terceiro dia, programamos uma viagem a Sintra. Compramos passagem e ficamos fazendo hora na plataforma, ao lado do trem, batendo papo e apreciando o lindo visual da estação do Rossio. 10 minutos antes da hora prevista para a viagem, as portas começam a se fechar. Você, carioca, sabe que atrasos fenomenais e absoluta falta de compromisso são parceiros do nosso dia-a-dia, então quando poderíamos imaginar que o maldito trem português teria uma pontualidade nem britânica? Como um bom frequentador de Maracanã e, portanto, metrôs cheios (e cheios de gente mal educada), César correu e começou a segurar a porta pra eu entrar.  Entrei toda espremida e com alguns hematomas, reclamando da falta de respeito dos portugueses. “Onde é que já se viu deixar a estação antes do combinado??”. Os passageiros nos olhavam meio atônitos e ficávamos mais indignados ainda.

Sentamos, esbaforidos, ainda revoltados com a situação, o mico, o pacote completo.

Nisso, a porta do vagão se abre e entra um grupo de pessoas. ??? Não há palavras que possam expressar como ficamos perdidos e desamparados naquele momento.

Foi quando percebemos que em Lisboa (e isso se aplica a todos os lugares que conhecemos por lá) é possível abrir a porta do metrô/trem apertando um simples botãozinho. Nada de força bruta, xingamentos, gente sendo esmagada. Pura e simples evolução.

1 X 0 trem lisbonense.

Que acabou virando uns 5 X 0, mas os outros golaços (ou frangos) vou deixar para contar outro dia.



  • Nenhum
  • César: Meu amor, favor me incluir entre os apaixonados por Lumiar. Precisamos agitar logo o nosso retorno. Aguardo as próximas histórias! Beijoca.
  • Erika: Nanda,vc e' demais.Whitesnake tambem passou a ser um marco em minha vida.Ouvia tanto que "apaixonei" tambem.Alem de me deparar toda vez que entrava no
  • César: Tim tim. Que orgulho da minha mulher. Além de linda, flamenguista e roqueira, ainda escreve bem demais. Voltei pra ler de novo. Parabéns pelo

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